Estou repetindo o post do dia da criança do ano passado... mas ele me diz tanto que vale a pena ver de novo
Voces dizem
È cansativo estar com as criancas. Voces tem razao.
E acrescentais:
Porque é preciso colocar-se no nivel delas, abaixar-se, inclinar-se, curvar-se, fazer-se pequeno
Ora, voces erraram!
Nao é isso que mais cansa
È antes o fato de sermos obrigados a elevar-nos até a altura dos sentimentos delas
Esticar-se, alongar-se, levantar-se na ponta dos pés.
Para nao feri-las...
Janusz Korczak
O autor é um pediatra polaco que nasceu em Varsovia em 1878 e morreu no ano de 1942 no campo de exterminio de Treblinka, junto com duzentas criancas do orfanatrofio dirigido por ele.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
O pobre e a pobreza, eu e a certeza (segurança)...

Nos dias 26 a 29 de julho um grupo de professoras da Rede La Salle concluiu seu programa de formacao. E o desafio era de construir um projeto de vida fazendo uma experiencia de insercao com os pobres. A casa escolhida foi o CEPA (Centro de Espiritualidade Padre Arturo) do bairro Santa Marta em Sao Leopoldo.
A mim coube a nobre missao de coordenar esse retiro. Nao foi um retiro na acepcao tradicional do termo - uma "fuga mundis" - mas ao contrario um mergulho no mundo do pobre.
Entre as muitas aprendizagens gostaria de partilhar apenas uma:
Eh impressionante como nos - os nao pobres - temos dificuldades para entender os pobres. Estou convencido de que grande parte dessa dificuldade provem das nossas certezas e segurancas. Certeza de que nao vai faltar luz, agua, comida, escola, roupa, internet, chuveiro eletrico, dinheiro... certeza de quando chove a casa nao alaga, a goteira nao aparece e o sapato nao vai sujar de barro...
Nao seriam as nossas segunrancas as responsaveis pela imcompreensao e julgamentos que fazemos do pobre? Por isso para "quebrar esse paradigma" nada melhor do que fazer a experiencia que o pobre faz com frequencia. Foi isso que tentamos fazer nesse fim de semana...
Cada um teve que se desarmar, abrir mao de suas certezas e segunrancas e mergulhar no mundo do pobre e da pobreza...
quinta-feira, 5 de junho de 2008
CARTA AO INQUILINO
Senhor morador!
Gostariamos de informar que o contrato de aluguel que acordamos ha bilhoes de anos atras esta vencendo. Precisamos renova-lo, porem temos que acertar alguns pontos fundamentais:
1. Voce precisar pagar a conta de energia. Esta muito alta! Como voce gasta tanto?
2. Antes eu fornecia agua em abundancia, hoje nao disponho mais desta quantidade. Precisamos renegociar o uso.
3. Porque alguns na casa comem o suficiente e outros estao morrendo de fome, se o quintal é tao grande? Se cuidar da terra vai ter alimento para todos! (Hoje no mundo, ha 820 milhoes de pessoas passando fome; entre elas, 178 milhoes de criancas, conforme dados da FAO de 05/06/08)
4. Voce cortou as arvores que dao sombra, ar e equilibrio. O sol esta quente e o calor aumentou. Voce precisa replantar novamente!
5. Todos os bichos e as plantas do imenso jardim devem ser cuidados e preservados. Procurei alguns animais e nao os encontrei. Sei que quando aluguei a casa eles existiam...
6. Precisam verificar que cores estranhas estao no ceu! Nao vejo o azul!
7. Por falar em lixo, que sujeira, hein??? Encontrei objetos estranhos pelo caminho! Isopor, pneus, plasticos...
8. Nao vi os peixes que moram nos rios e lagos. Voces pescaram todos? Onde estao?
Bom, é hora de conversarmos. Preciso saber se voce ainda quer morar aqui. Caso afirmativo, o que voce pode fazer para cumprir o contrato?
Gostaria de ter voce sempre comigo, mas tudo tem um limite.
Voce pode mudar?
Aguardo resposta e atitudes.
Sua casa, A TERRA
Gostariamos de informar que o contrato de aluguel que acordamos ha bilhoes de anos atras esta vencendo. Precisamos renova-lo, porem temos que acertar alguns pontos fundamentais:
1. Voce precisar pagar a conta de energia. Esta muito alta! Como voce gasta tanto?
2. Antes eu fornecia agua em abundancia, hoje nao disponho mais desta quantidade. Precisamos renegociar o uso.
3. Porque alguns na casa comem o suficiente e outros estao morrendo de fome, se o quintal é tao grande? Se cuidar da terra vai ter alimento para todos! (Hoje no mundo, ha 820 milhoes de pessoas passando fome; entre elas, 178 milhoes de criancas, conforme dados da FAO de 05/06/08)
4. Voce cortou as arvores que dao sombra, ar e equilibrio. O sol esta quente e o calor aumentou. Voce precisa replantar novamente!
5. Todos os bichos e as plantas do imenso jardim devem ser cuidados e preservados. Procurei alguns animais e nao os encontrei. Sei que quando aluguei a casa eles existiam...
6. Precisam verificar que cores estranhas estao no ceu! Nao vejo o azul!
7. Por falar em lixo, que sujeira, hein??? Encontrei objetos estranhos pelo caminho! Isopor, pneus, plasticos...
8. Nao vi os peixes que moram nos rios e lagos. Voces pescaram todos? Onde estao?
Bom, é hora de conversarmos. Preciso saber se voce ainda quer morar aqui. Caso afirmativo, o que voce pode fazer para cumprir o contrato?
Gostaria de ter voce sempre comigo, mas tudo tem um limite.
Voce pode mudar?
Aguardo resposta e atitudes.
Sua casa, A TERRA
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Rezar pra chover...
Por la o povo aspirava ardentemente por chuva pois toda a regiao depende da producao agricola. Ao participar da Celebracao da Palavra no domingo pela manha me chamou atencao o numero de vezes em que se rezou "para uma boa chuva". E como se nao bastasse o evangelho era o da Samaritana, entao parecia que tudo calhava pra esse apelo incessante de agua - no sentido literal - assim como fez a samaritana.
Fiquei muito bem impressionado com a fé da comunidade. Com o modo como foram dirigidos esses apelos a Deus. Mas algo em mim dizia que o foco da oracao nao deveria ter sido Deus, em primeira pessoa...
Li na Biblia, no me lembro direito em qual livro, que Deus faz chover sobre justos e injustos. Conversei com muitas pessoas da regiao e algumas diziam que a chuva era urgentissima... outras diziam que chovia regularmente. No meu modo de ver todos poderiam ser enquadrados na categoria justos, no entanto a chuva para alguns faltava... Porque Deus teria preferido uns e deixado fora outros? Tava ele querendo testar a fé? Ou Ele viu alguma coisa que nao gostou e se vingou deixando eles na seca?
Essas perguntas sao sem sentido. Nao sao nem mesmo retoricas...
Estou convencido que o problema da falta de chuva nao é um problema de Deus. Ele criou o mundo e criou o jardineiro e a sua companheira pra cuidarem (conhecem o mito do cuidado??)... é por isso que eu penso que se deveria rezar mais pelo zelador do jardim do que pelo criador dele... Se falta a chuva, se o rio ta poluido, se o sol da cancer de pele é porque falta cuidado com o mundo...
Nao é um problema teu, meu ou do vizinho: é nosso. é um pecado da humanidade!!!
Se eu entendi bem as primeiras paginas do Genesis, depois da criacao a chuva ou a sua falta é um problema nosso...Concentremos, portanto, nossas oracoes na recuperacao da dimensao do cuidado que caracteriza cada ser humano.
Se vc é de acordo, releia aquelas paginas e poste aqui seus comentarios...
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Arrivederci, Roma...
Arrivederci Roma
Renato Rascel
Renato Rascel
T'invidio turista che arrivi,
t'imbevi de fori e de scavi,
poi tutto d'un colpo te trovi
fontana de Trevi ch'e tutta pe' te!
Ce sta 'na leggenda romanalegata
Ce sta 'na leggenda romanalegata
a 'sta vecchia fontanaper cui se ce butti un soldino
costringi er destino a fatte tornà.
E mentre er soldo bacia er fontanonela tua canzone in fondo è questa qua!
E mentre er soldo bacia er fontanonela tua canzone in fondo è questa qua!
Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Si ritrova a pranzo a Squarciarelli
fettuccine e vino dei Castelli
come ai tempi belli che Pinelli immortalò!
Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Si rivede a spasso in carozzella
e ripenza a quella "ciumachella"
ch'era tanto bellae che gli ha detto sempre "no!"
Stasera la vecchia fontanaracconta la solita luna
Stasera la vecchia fontanaracconta la solita luna
la storia vicina e lontanadi quella inglesina col naso all'insù
Io qui, proprio qui l'ho incontrata...
Io qui, proprio qui l'ho incontrata...
E qui...proprio qui l'ho baciata...
Lei qui con la voce smarritam'ha detto:"E' finita ritorno lassù!"
Ma prima di partire l'inglesina
Ma prima di partire l'inglesina
buttò la monetina e sussurrò:
Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Voglio ritornare in via Margutta
voglio rivedere la soffitta
dove m'hai tenuta stretta stretta accanto a te!
Arrivederci, Roma...Non so scordarti più...
Arrivederci, Roma...Non so scordarti più...
Porto in Inghilterra i tuoi tramonti
porto a Londra Trinità dei monti,
porto nel mio cuore i giuramenti e gli "I love you!"
Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Mentre l'inglesina s'allontana
un ragazzinetto s'avvicinava nella fontana
pesca un soldo se ne va!Arrivederci, Roma!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Das coisas que aprendi...
Essa semana fecha um ciclo de dois anos e meio aqui na Italia. Durante todo esse tempo frequentei a Universidade Pontificia Salesiana para obter o titulo de Mestrado em Educacao com especializacao em Pastoral Juvenil... Morando em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, como Roma, e havendo a possibilidade de conhecer outros paises é obvio que as aprendizagens ultrapassam a academia... A seguir alguns fragmentos desordenados de algumas coisas para mim muito importantes...
A primeira coisa que aprendi é que aqui não existe Mestrado como nos entendemos no Brasil. Existe a “Licenza” que corresponde, mais ou menos, ao Mestrado no Brasil...
Aprendi que Roma é uma cidade lindissima, (bem como toda a Italia) e que se torna ainda mais bela na medida em que conhece melhor a historia e na medida que o nosso olhar vai se convertendo...
Aprendi, com a ajuda de Tomas Luckmann, que a Europa é secularizada mas o europeus não. Quer dizer, a religiao é cada vez mais invisivel mas a dimensao religiosa do homem continua viva.
Aprendi que a Europa esta mundando de rosto, um rosto ainda não delineado... e que a causa pode de alguma maneira ser explicada ao egoismo generacional aliado ao grande numero de imigrantes asiaticos, africanos e latino-americanos...
Aprendi que são muitos os caminhos que levam ao Vaticano. E da onde eu morava qualquer um que eu escolhesse não demorava mais de 17min de caminhada... Mas são cada vez mais tortuosos e estreitos os caminhos do Vaticano até mim...
Em contato com pessoas de todos os continentes aprendi que os meus absolutos podem ser relativos para o outro. E que a única forma de realmente encontrar o outro (diferente de mim) é relativizando os meus absolutos (coloca-los entre parenteses). Por outro lado a única forma de viver serenamente nesse mundo (pos-moderno) é tendo valores que estao profundamente radicados em uma comunidade, e que é preciso crer que as instituicoes podem ajudar a mante-los.
Aprendi que todo o nosso saber (conhecimento) é interpretaçao. E que portanto não conhecemos as coisas como elas são, mas já sempre interpretadas e codificadas em uma linguagem carregada de significados profundamente arraigados em um contexto (tempo, cultura, simbolos, valores...).
Aprendi que a religiao não é um problema de Deus. É um fato humano e que a modernidade trouxe a religiao para dentro dos limites do mundo. Isso significa muita coisa, mas poderia ser resumido no seguinte: a religiao somente tera credibilidade e plausibilidade a medida que responder aos problemas do homem (suas angustias, suas dores, suas miserias e suas buscas)...
Aprendi que aquilo que os estudiosos chamam de “mal estar religioso da nossa civilizaçao” tem suas origens no Iluminismo e que somente dois seculos após, com o Vaticano II, surge uma resposta aceitavel. Pena que grande parte da Igreja vive como se não existisse esse Concilio... Por mal estar religioso entende-se o problema de indentidade do homem contemporaneo: se escolhe ser cristao entra em conflito com a modernidade, se opta por ser moderno conflitua com o cristianismo...
Aprendi que Deus é a maneira infinita de ser homem e que o homem é sempre um modo finito de ser Deus. A única forma de se aproximar de Deus é crescer em humanidade.
Aprendi que não se trata tanto de educar para acreditar em Deus mas educar para perceber quanto Deus cre em cada um de nos...
Aprendi que é preciso crer profundamente na juventude especialmente nos contextos de pobreza bem como nos lugares onde os jovens tendem a diminuir numericamente...
Aprendi que tudo o que eu aprendi somente tera valor se eu continuar aprendendo...
Aprendi ainda muitas outras coisas mas as que escrevi aqui me dao sufiencietes razoes par crer e esperar...
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Colono sapiens santocristenses...
Eu, um bipede implume da vasta fauna humana, colorado e santocristense subi hje mais um degrau da escada sapiencial...
Obrigado a todos e a todas que de algum modo estiveram presentes...
Um abracao do,
Moa
PS.: Para os dois ou tres desatentos, santocristense é o adjetivo patrio do sujeito, no caso o colono, que nasce em Santo Cristo.
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