sábado, 16 de fevereiro de 2008

Arrivederci, Roma...


Arrivederci Roma
Renato Rascel

T'invidio turista che arrivi,
t'imbevi de fori e de scavi,
poi tutto d'un colpo te trovi
fontana de Trevi ch'e tutta pe' te!
Ce sta 'na leggenda romanalegata
a 'sta vecchia fontanaper cui se ce butti un soldino
costringi er destino a fatte tornà.
E mentre er soldo bacia er fontanonela tua canzone in fondo è questa qua!

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Si ritrova a pranzo a Squarciarelli
fettuccine e vino dei Castelli
come ai tempi belli che Pinelli immortalò!

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Si rivede a spasso in carozzella
e ripenza a quella "ciumachella"
ch'era tanto bellae che gli ha detto sempre "no!"
Stasera la vecchia fontanaracconta la solita luna
la storia vicina e lontanadi quella inglesina col naso all'insù
Io qui, proprio qui l'ho incontrata...
E qui...proprio qui l'ho baciata...
Lei qui con la voce smarritam'ha detto:"E' finita ritorno lassù!"
Ma prima di partire l'inglesina
buttò la monetina e sussurrò:

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Voglio ritornare in via Margutta
voglio rivedere la soffitta
dove m'hai tenuta stretta stretta accanto a te!
Arrivederci, Roma...Non so scordarti più...
Porto in Inghilterra i tuoi tramonti
porto a Londra Trinità dei monti,
porto nel mio cuore i giuramenti e gli "I love you!"

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Mentre l'inglesina s'allontana
un ragazzinetto s'avvicinava nella fontana
pesca un soldo se ne va!Arrivederci, Roma!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Das coisas que aprendi...

Das coisas que aprendi…

Essa semana fecha um ciclo de dois anos e meio aqui na Italia. Durante todo esse tempo frequentei a Universidade Pontificia Salesiana para obter o titulo de Mestrado em Educacao com especializacao em Pastoral Juvenil... Morando em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, como Roma, e havendo a possibilidade de conhecer outros paises é obvio que as aprendizagens ultrapassam a academia... A seguir alguns fragmentos desordenados de algumas coisas para mim muito importantes...

A primeira coisa que aprendi é que aqui não existe Mestrado como nos entendemos no Brasil. Existe a “Licenza” que corresponde, mais ou menos, ao Mestrado no Brasil...

Aprendi que Roma é uma cidade lindissima, (bem como toda a Italia) e que se torna ainda mais bela na medida em que conhece melhor a historia e na medida que o nosso olhar vai se convertendo...

Aprendi, com a ajuda de Tomas Luckmann, que a Europa é secularizada mas o europeus não. Quer dizer, a religiao é cada vez mais invisivel mas a dimensao religiosa do homem continua viva.

Aprendi que a Europa esta mundando de rosto, um rosto ainda não delineado... e que a causa pode de alguma maneira ser explicada ao egoismo generacional aliado ao grande numero de imigrantes asiaticos, africanos e latino-americanos...

Aprendi que são muitos os caminhos que levam ao Vaticano. E da onde eu morava qualquer um que eu escolhesse não demorava mais de 17min de caminhada... Mas são cada vez mais tortuosos e estreitos os caminhos do Vaticano até mim...

Em contato com pessoas de todos os continentes aprendi que os meus absolutos podem ser relativos para o outro. E que a única forma de realmente encontrar o outro (diferente de mim) é relativizando os meus absolutos (coloca-los entre parenteses). Por outro lado a única forma de viver serenamente nesse mundo (pos-moderno) é tendo valores que estao profundamente radicados em uma comunidade, e que é preciso crer que as instituicoes podem ajudar a mante-los.

Aprendi que todo o nosso saber (conhecimento) é interpretaçao. E que portanto não conhecemos as coisas como elas são, mas já sempre interpretadas e codificadas em uma linguagem carregada de significados profundamente arraigados em um contexto (tempo, cultura, simbolos, valores...).

Aprendi que a religiao não é um problema de Deus. É um fato humano e que a modernidade trouxe a religiao para dentro dos limites do mundo. Isso significa muita coisa, mas poderia ser resumido no seguinte: a religiao somente tera credibilidade e plausibilidade a medida que responder aos problemas do homem (suas angustias, suas dores, suas miserias e suas buscas)...

Aprendi que aquilo que os estudiosos chamam de “mal estar religioso da nossa civilizaçao” tem suas origens no Iluminismo e que somente dois seculos após, com o Vaticano II, surge uma resposta aceitavel. Pena que grande parte da Igreja vive como se não existisse esse Concilio... Por mal estar religioso entende-se o problema de indentidade do homem contemporaneo: se escolhe ser cristao entra em conflito com a modernidade, se opta por ser moderno conflitua com o cristianismo...

Aprendi que Deus é a maneira infinita de ser homem e que o homem é sempre um modo finito de ser Deus. A única forma de se aproximar de Deus é crescer em humanidade.
Aprendi que não se trata tanto de educar para acreditar em Deus mas educar para perceber quanto Deus cre em cada um de nos...

Aprendi que é preciso crer profundamente na juventude especialmente nos contextos de pobreza bem como nos lugares onde os jovens tendem a diminuir numericamente...

Aprendi que tudo o que eu aprendi somente tera valor se eu continuar aprendendo...

Aprendi ainda muitas outras coisas mas as que escrevi aqui me dao sufiencietes razoes par crer e esperar...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Colono sapiens santocristenses...




Eu, um bipede implume da vasta fauna humana, colorado e santocristense subi hje mais um degrau da escada sapiencial...


Obrigado a todos e a todas que de algum modo estiveram presentes...


Um abracao do,

Moa
PS.: Para os dois ou tres desatentos, santocristense é o adjetivo patrio do sujeito, no caso o colono, que nasce em Santo Cristo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Universalidade da Universidade


A semana romana foi marcada pelo incidente do "boicote" da ida do Papa a "Università La Sapienza" para a aula inaugural do ano letivo.
Alguns professores e alunos protestaram dizendo que o Papa nao poderia ir a uma universidade leiga, que isso seria a intromissao da Igreja etc e tal.
Moral da historia: o Papa renunciou ao seu discurso.
Teve porem o efeito contrario. Os estudantes catolicos, motivados pela diocese de Roma se mobilizaram e domingo estarao em peso na Praca Sao Pedro, para a oracao do Angelus. Sera uma grande manifestacao de apoio ao Papa, que como se viu na sua ultima aparicao publica estava muito mexido com essa situacao.
Eu tambem estarei la na praca. Nao somente para apoiar o Papa. Mas como um gesto simbolico do que significa para mim a universidade.
A universidade é por definicao aberta, universal e nao pode opor-se a nenhum tipo de pensamento. Pode e deve critica-lo, mas nao sem ouvir, sem conhecer.
Se os professores e universitarios tivessem escutado o discurso do Papa que se tornou publico e muito mais lido com a "censura" teriam honrado o nome UNIVERSIDADE E A SAPIENCIA.
Eh verdade que o Papa, mesmo nao querendo impor a fé, como diz no discurso que deveria ter pronunciado, nunca deixa de falar como Papa. O Papa é Papa e ponto. Eh Papa mesmo quando passeia nos jardins do Vaticano escutando Mozart no seu Ipod Touch Screen...
Mas o Papa de agora é considerado umas das pessoas mais inteligentes e cultas dos 6,6 bilhoes de seres humanos do planeta. Nao querer ouvi-lo nao parece uma atitude inteligente de quem esta na UNIVERSIDADE, ainda mais quando essa se chama "LA SAPIENZA" (A Sapiencia).
Eh por isso que domingo estarei ali, debaixo dessa janela...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007





"O que é o ser humano na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo" (Pascal)




Sim, Pascal tem razao. Passa ano e entra ano e o ser humano nao encontra seu exato lugar no mundo. Nem mesmo o seu tamanho.

Dos 4,5 milhões de anos que a vida está presente nesse ovo (de codorna, pq é pequeno em relação ao universo) chamado terra o surgimento da espécie humana corresponde a um suspiro efêmero. Numa escala de uma ano corresponderia a noite do dia 31 de dezembro. Mas precisamente aquele instante fugaz que dura do saltar da rolha da champagne até o momento que o som chega ao nosso cérebro. Ínfimo, mas decisivo.

Essa semana os jornais traziam artigos de cientistas que afirmavam que continuando assim teremos poucas viradas de ano pela frente. Falavam em fim da especie humana porque de um lado teremos em pouco tempo uma superpopulacao e os recursos energeticos do planeta se extinguindo, ou ao menos nao se regeneram na velocidade que sao consumidos...

Outros menos pessimistas acreditam que o ser humano nao se acabara devido a sua adaptabilidade e criatividade.

O que parce certo é que exatamente como as coisas estao andando nao poderao continuar por muito tempo. Ou o homem descobre que ele foi feito para mundo e nao o mundo para ele (e que isso tem implicacoes eticas). Ou entao cedo ou tarde descobriremos que a especie humana que foi a ultima ser criada (conforme o mito de Adao) nao sera a ultima a desaparecer...

Otimo 2008!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal


Tenho a conviccao que nesse ano ao menos no que me diz respeito nascera um Jesus diferente. Recentemente fui agraciado com a possibilidade de pisar na terra onde Jesus de Naraze transcorreu os 33 anos da sua existencia e isso reforcou minha inquietacao...
Desde algum tempo vinha sendo provocado pela teologia da Incarnacao a desfazer-me daquela imagem de Jesus muito espiritualizada, quase mitica. Daquele Jesus que era homem sim, mas que com ele tudo funcionava tao bem que parecia que apertava botoes invisiveis e tudo se encaminhava como ele queria. Um milagre aqui outro acola, um discurso bem feito, discursos, ensinamentos... Um Jesus que subia na montanha pra rezar, mais pra mostrar que era necessario rezar do que pra realmente entender os designios de Deus a seu respeito (afinal, ele ja sabia tudo).
Quase dava a impressao que Jesus se fez homem, porque Deus tava querendo que a gente acreditasse nele e entao se fez ver em carne e osso. Mas a carne e o osso pouco diziam para a fé. Era muito facil acreditar num Jesus assim.
Nao quero alongar o discurso... Penso que a humanidade de Jesus que celebramos no Natal chama em causa a nossa decisao de fé. E mais dificil crer num Jesus humanamente divino do que num Jesus pouco humanizado.
Somente assim nossa humanidade adquire um significado. Nosssas buscas, anseios, alegrias, tristes e esperancas podem tornar-se sinais antecipatorios do grande misterio.
Enfim, o Natal demonstra que Deus é a forma infinita de ser homem, enquanto o homem é sempre uma forma finita de ser Deus.
Excelente Natal!!

JERUSALEM
Um pensamento muito interessante sobre a realidade da Jerusalem terrestre.

"Quando Dio creò il mondo, di dieci misure di bellezza nove le diede a Gerusalemme e una al resto del mondo;

"Quando Deus criou o mundo, de dez misuras de beleza nove deu a Jerusalem e uma ao resto do mundo;


di dieci misure di saggezza, nove le diede a Gerusalemme e una al resto del mondo;

de dez misuras de sabedoria, nove deu a Jerusalem e uma ao resto do mundo;


di dieci misure di dolore, nove le diede a Gerusalemme e una al resto del mondo".

de dez misuras de dor, nove deu a Jerusalem e uma ao resto do mundo."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Do rio para a fonte...



Faz dias que nao escrevo nada aqui. Eh que vivo uma dupla "tensao escatologica"... A primeira porque o fim dos tempos (em Roma) esta se aproximando de uma meneira muito rapida e eu tenho que me dedicar a preparar os exames que faltam e principalmente à tese. E depois? Arrivederci Roma!!

A segunda porque estava me preparando para uma viagem mais do que especial. Uma VIAGEM A PATRIA DA MINHA ALMA. Sabado, partiremos em peregrinacao para uma semana de peregrinacao naquelas terras onde onde um carpinteiro reuniu um grupo de pescadores analfabetos (provavelmente) e algum cobrador de imposto e deu inicio a um movimento de lideres itinerantes que separou definitivamente a historia em antes e depois... Um terra chamada Palestina de uma complexidade muito grande de religioes e culturas que vive conflitos que a distanciam milhas e milhas do ideal daquele judeo marginal chamado Jesus.

Do rio a fonte... A fé na minha historia pessoal pode ser comparada a um rio. Um rio que passa de geracao para geracao, que passou na minha familia, na escola, na comunidade que pertencia... Um rio que tem muitos afluentes muito influentes... cada um dando sua contribuicao para que ele se mantivesse capaz de arrebatar todos os obstaculos que encontra no seu curso... Um rio que me fez entrar na Congregacao dos Irmaos das Escolas Cristas e nela permanecer até hoje. Um rio que me trouxe a Roma, chamada pelas mas linguas de "depositum fidei" (deposito da fe) mas que ali nao desaguou... Um rio que continua passando...Mas esse eh um rio diferente porque milagrosamente ele parou e resolveu voltar a fonte...

Até a volta!!!