segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia do amigo

Eu continuo pensando que amizade é coisa tao séria que nao deveria existir um dia para ela...

Com a amizade eu aprendi uma coisa muito importante e que vale para qualquer relacionamento humano. A amizade é antes de mais nada criacao de vínculo... é aquela velha história do Pequeno Príncipe, do deixar-se cativar...

Na pós-modernidade nao existe mais um cativar que seja eterno. Os vínculos duram enquanto sao alimentados, enquanto há proximidade física, emocional, afetiva, enfim, existencial. Aquela coisa do "longe dos olhos e perto do coraçao" perdeu grande parte do seu valor. Também nao se vive mais relacionamentos humanos baseados em ideais e valores abstratos ainda que sejam de natureza moral e/ou religiosa.

A sociedade liquida moderna - como a chama Baumann - exige que os relacionamentos sejam cultivados e alimentados constantemente. O apaixonar-se e o desapaixonar-se, ainda pensando com Baumann, acontecem numa fluidez impressionante. Nao há metafísica que resista aos apelos incessantes das novas paixoes.

Portanto, com os amigos e amigas é preciso mais do que nunca criar, cultivar e alimentar vínculos. Enfim, é preciso saber cuidar...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

Diz a Bíblia que a mulher foi feita da costela do homem e no lugar dela Deus fez crescer carne, conforme lemos em Genesis 2,21. Algumas pessoas mal intencionadas buscam nesse mito fundador da humanidade a explicaçao da origem da discriminaçao da mulher. Dizem que a mulher foi feita da costela, carne de segunda - diria o gaucho - e que portanto está mais do que justificado e esclarecido o lugar da mulher na sociedade.
Pra sorte das mulheres e de todos os homens, existem pessoas mais sérias. Os grandes estudiosos e hermeneutas da Biblia concluiram que a traducao nao foi feliz. O mais correto seria afirmar que a mulher foi feita "do lado do homem", ou seja, criada para ser a parceira, pra que o homem nao fique "só" (cf. Gn 2,18). Nem dos pés, nem da cabeça, nem superior, nem inferior, mas do lado, nao da costela. Há uma força simbolica extraordinaria nisso...

É fruto de uma construcao historica a ideia de que a mulher é o sexo oposto. Até a Idade Média a mulher nao era reconhecida como um ser de caracteristicas proprias, o genero feminino nao existia. Era mais importante ter um bom cavalo do que uma boa esposa. Essa concepçao ainda nao foi superada completamente e ainda está arraigada no inconsciente coletivo, inclusive das mulheres. Fico me questionando: se a mulher é o sexo oposto qual seria entao o sexo achegado, adepto, aliado? De quanto se tem noticia apenas dois sexos sao conhecidos, embora sobre as formas de viver a sexualidade se possa tergiversar. Que o DIA INTERNACIONAL DA MULHER ajude o homem a "descer do cavalo" e que a mulher esteja ali do lado para recebe-lo para que juntos possam cuidar de tudo que existe no jardim que outrora se chamava Eden e que hoje se chamar planeta terra, Brasil, etc... Parabens a todas as mulheres.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A fome no mundo e a riqueza do Vaticano...


De vez em quando comento com as pessoas sobre meus passeios e impressoes que tive do Vaticano daqueles tempos aureos em que vivi nos seus entornos.
Entao algumas pessoas colocam a seguinte questao: se o Vaticano possui tanta riqueza, tanto ouro nao seria melhor que vendesse tudo e ajudasse os pobres?
Eu respondo laconicamente: NAO!
E depois explico: Vender até que se poderia, mas o problema seria quem vai comprar... Nao existe pessoa no mundo que tenha juntado dinheiro com meios licitos capaz de comprar os bens culturais e materias que o Vaticano possui. Aquilo simplesmente é impagável. E mais: é patrimonio da humanidade e o Vaticano é apenas o guardiao nao auferindo grandes vantagens financeiras.
Serve mais para ostentar uma imagem de Igreja, fruto de um periodo historico e que nao é com certeza a Igreja que o proprio Vaticano pregou no seu concilio dos anos 60.
Contudo ainda que fosse possivel e aceitável a venda do patrimonio ela nao acabaria com a fome no mundo.
O orçamento de um ano do Vaticano corresponde ao que os EUA gastaram em um dia de guerra no Iraque. Nao seria interessante exigir alguma ajudinha deles tambem??
Quanto aos bens do Vaticano, na minha proxima viagem a Roma, eu prefereria encontra-los sob a custodia da Igreja do que ve-los nas maos do Berlusconi, do Bil Gates, dum Sheike ou dum banqueiro golpista. Ou voce preferiria pagar 50euros do que usar camisa e calca pra ingressar no territorio da Santa Sé???

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A ERA DA COMUNICAÇAO E O IMPERIO DO PRESENTE

Indubitavelmente um dos fatores que caracterizam de modo mais decisivo os dias atuais são as novas relações do homem no espaço e no tempo. Essas transformações são marcadas especialmente pela ruptura da concepção do tempo como uns transcorrer com passado, presente e futuro, ou seja, como história que tem um fio condutor que liga o hoje ao ontem ao projeto para o amanhã.
Para compreendermos a difícil relação do homem contemporâneo com o tempo apresentamos dois conceitos desenvolvidos por Fraser (1991) em seu acurado estudo sobre o tempo.
O primeiro se refere ao que se pode chamar do tempo especificamente humano e que o autor define como a nootemporalidade. É a concepção de que “os seres humanos são diversos de todas as outras espécies porque são capazes de compreender o mundo nos termos de um futuro e de um passado distantes, e não somente nos termos das impressões sensoriais do presente.”[1] Em outras palavras é o tempo visto como um percurso que o homem faz rumo a um objetivo que é seu mas que é maior que ele mesmo e do qual cada um contribui a seu modo. E no seu transcorrer a consciência deve estar entrelaçada com o passado para viver e transformar melhor o presente.
O segundo conceito é chamado de sociotemporalidade. Ele se refere ao modo como um grupo social gere o tempo. É “a socialização do tempo que se exprime na sincronização e na planificação das ações coletivas sem as quais nenhuma sociedade pode existir.”[2] Ou seja, o tempo das pessoas que vivem e trabalham em sociedade bem como de todas as ações coletivas do grupo chamado de “socialização do tempo.” É ainda “a criação e a manutenção dos sistemas de valores que guiam a conduta dos membros de uma sociedade, e que devem a sua autoridade a história e aos projetos do grupo...”[3]
A sociotemporalidade ou o tempo social é marcado pelo presente social. O presente social é o tempo necessário que permite as pessoas de um determinado grupo agirem de comum acordo. Ele é determinado pela comunicação que perpassa os membros do grupo e a sua amplitude depende dos recursos disponíveis para fazer chegar a todos determinada mensagem. Não requer esforço perceber que o presente social da sociedade atual é radicalmente diverso daquele em que para comunicar a morte de um membro da comunidade se usava certo tipo de ritmo do sino.
É preciso fazer notar a importância vital do tempo social para qualquer grupo sem o qual não há uma vida social propriamente dita e muito menos um mínimo de homogeneização necessária para a continuidade do grupo. Quer dizer que “a sociotemporalidade é tanto mais desenvolvida na vida das pessoas que fazem parte de uma sociedade quanto mais essas são em relação. Mais a sociotemporalidade é desenvolvida mais os estilos de vida, os valores e as condutas das pessoas tornam-se homogêneas.”[4]
O que se percebe hoje em dia é que os meios de comunicação modernos se tornaram os agentes principais de socialização. Não é mais como um tempo quando a família, a escola e a igreja eram as instituições que dividiam o bolo das informações que se poderia ter acesso. Na verdade a sociedade midiática rompeu com uma característica fundamental dos processos de socialização típica antes do advento desta: a presença física. Antes cada tipo de informação era veiculada num ambiente especifico e fora dele era muito difícil ter acesso a elas. Em todos os períodos históricos anteriores ter acesso a “dois acontecimentos que acontecem ao mesmo tempo pressupunha um lugar físico em que os indivíduos pudessem experimentar a contemporaneidade. O ‘ao mesmo tempo’ implicava o ‘no mesmo lugar’.”[5] Além disso, esse tipo de situação permitia a separação clara entre classes e faixas etárias. Por exemplo, as crianças não tinham acesso ao mundo das informações dos adultos. Com a ruptura da ligação entre colocação física e situação social, “a mídia eletrônica pode começar a confundir a identidade de grupo precedentemente separada, permitindo aos indivíduos de fugir informativamente aos grupos ancorados a um lugar definido e deixando que os estranhos invadem muitos territórios de grupo sem nem mesmo neles entrar.”[6] Dali é fácil concluir que não muda somente a velocidade com as quais as pessoas podem ter acesso as informações, mas também que seus efeitos são perniciosos para a identidade.
O termo fragmentação é constantemente apresentado nas bibliografias que tratam da pós-modernidade como um dos elementos que a caracterizam. De fato a fragmentação é perceptível no mundo das ciências, passando pela educação e pela política até desembocar na ética. Mas é evidente que a fragmentação do tempo joga nisso tudo um papel decisivo. Não se pode dizer que sejam processos indiferentes no sentido que correm paralelamente, porém se fosse possível imaginar uma sociedade em que as pessoas concebessem o tempo como história, sem dúvida os efeitos das outras não seriam tantos e nem mesmo atingiriam níveis tão elevados.
A fragmentação do tempo no mundo contemporâneo ou se preferirmos a redução do tempo a um simples suceder de presentes insere o sujeito num mundo do qual não se sente em condições de governar sua vida pautada em projetos que se fundamentam em valores. Isso porque cada momento oferece as suas exigências peculiares que não raras vezes estão em contradição com o momento anterior. Além disso, viver o momento significa exaurir-lhe todas as possibilidades sob o ponto de vista do prazer, da emoção e do consumo.
O avanço das tecnologias de informação provocou conseqüências não somente na vida prática das pessoas. Influenciou de maneira decisiva a relação do homem com tempo – passado, presente e futuro – a tal ponto que não consegue mais encontrar nele um sentido muito menos uma linha identitária que lhe confira unidade.
A redução do tempo social devida às diversas possibilidades de interação em tempo real oferecidos pelos meios de comunicação – principalmente internet e televisão – criam a “superabundância de eventos.” Na era da comunicação o sujeito quanto mais for imerso nessa rede mais tem acesso a informações e acontecimentos em todos os cantos do mundo. Essa sobrecarga de mensagens que aparecem simultaneamente não permite que sejam elaboradas. Criam uma verdadeira confusão no indivíduo. Porque, por exemplo, ao mesmo tempo em que chega a notícia de um amigo que morreu, pode estar se comunicando com um outro em outra parte do mundo que conta o sucesso obtido na conclusão da sua vida universitária.
Marc Augè que desenvolve essa idéia do excesso na pós-modernidade afirma que “a dificuldade de pensar o tempo deriva da superabundância de acontecimentos do mundo contemporâneo (...). Da nossa exigência de compreender todo o presente que deriva a nossa dificuldade de dar sentido ao passado próximo.”[7] Ou seja, a pessoa é sufocada com um tal número de informações a serem entendidas que não consegue desprender-se do presente e muito menos compreender e atribuir um sentido a elas bem como a história. O autor estende sua análise do excesso do tempo também para a categoria do tempo. O excesso do espaço “é correlato ao restringimento do planeta (...). Mas, ao mesmo tempo, o mundo se abre a nós.”[8] Esse paradoxo se poderia explicar dizendo que em relação a outras épocas a compreensão de mundo hoje é definida e precisa ( como um espaço finito). Por outro lado a possibilidade de deslocamento real e/ou virtual é praticamente ilimitada. Estima-se que num futuro próximo será possível fazer uma viagem de Londres a Sidnei em aproximadamente três horas. Tudo isso graças ao desenvolvimento do chamado turismo espacial. As naves, para encurtar a distancia, saem da atmosfera e retornam a ela exatamente no lugar desejado reduzindo assim substancialmente o tempo da viagem. Paradoxalmente, enquanto o espaço se estende ao globo inteiro o tempo se restringe sobre o presente.
Hoje o ritmo do tempo das pessoas é ditado não tanto por suas opções livres e com base em seus valores. O ritmo de trabalho, principalmente das sociedades mais industrializadas, não permite que as pessoas organizem seu tempo, mas devem submeter-se a jornadas frenéticas e cansativas. Isso acaba por reduzir também a qualidade do tempo fora do trabalho que muitas vezes se reduz ao “consumo” de informações e imagens na televisão ou internet ou então, em atividades de lazer como festas, consumo de álcool e até mesmo droga. Além disso, o tempo considerado bom é aquele em que se pode consumir, e o tempo ruim é o tempo do trabalho (visto como um mal necessário para ter acesso aos bens de consumo) ou então não ter nada pra fazer.
A partir disso podemos perceber que as pessoas vivem um cotidiano privado de sentido. O dia-a-dia do trabalho não é visto como um espaço de realização e como uma contribuição para o melhoramento do mundo. Vive-se a espera de um final de semana para extravasar todas as tensões produzidas não somente pela exigência do cotidiano, mas exatamente porque nele não se percebe o ser real valor que é o de realizar a pessoa como um projeto na história.
O apego exagerado ao presente se expressa na absolutização da máxima de “viver cada instante e cada dia como se fosse o último.” É a idéia muito presente nos jovens hodiernos de aproveitar ao máximo o que cada instante pode oferecer de prazeroso porque o “amanhã nunca se sabe.” O futuro lhe é apresentado como uma ameaça que provém da insegurança, da violência, da falta de empregos. Portanto, não resta alternativa que não desfrutar o presente com tudo que ele possa oferecer sem se preocupar com o passado e muito menos com o futuro.
No campo da eticidade o império do presente apresenta graves conseqüências que compromete sobretudo a subsistência das gerações vindouras. Exatamente porque o homem moderno não se sente responsável pela herança que deixará aos futuros habitantes da casa comum, a Terra, da qual todos são inquilinos e não donos. O ser humano comporta-se como um meteoro rasante que pode destruir vastas extensões de natureza. A missão do ser humano é ser o jardineiro do Éden, que cuida, que faz crescer e protege. Criar essa sensibilidade de ser o “cuidador” do universo e de si mesmo se constitui em um dos maiores desafios de todo e qualquer projeto educativo e pastoral.

[1] FRASER J. T., Il tempo una presenza sconosciuta, 17.
[2] POLLO Mario, Animazione Culturale, 37.
[3] FRASER J. T., Il tempo una presenza sconosciuta, 187
[4] POLLO Mario, Animazione Culturale, 37.

[5] JEDLOWSKI Paolo, Un giorno dopo l’altro: la vita quotidiana fra esperienza e routine, Bologna, Il Mulino, 2005, 68.
[6] MEYROWITZ Joshua, Oltre il senso del luogo: come i media elettronici influenzano il comportamento sociale, Baskerville, Bologna, 1995, 93
[7] AUGÈ Marc, Nonluoghi. Introduzione a uma antropologia della surmodernità. Eléuthera, Milano 1996, 32 e 33
[8] Ivi, 33

Ser criança...

Estou repetindo o post do dia da criança do ano passado... mas ele me diz tanto que vale a pena ver de novo

Voces dizem
È cansativo estar com as criancas. Voces tem razao.
E acrescentais:
Porque é preciso colocar-se no nivel delas, abaixar-se, inclinar-se, curvar-se, fazer-se pequeno
Ora, voces erraram!
Nao é isso que mais cansa
È antes o fato de sermos obrigados a elevar-nos até a altura dos sentimentos delas

Esticar-se, alongar-se, levantar-se na ponta dos pés.
Para nao feri-las...

Janusz Korczak
O autor é um pediatra polaco que nasceu em Varsovia em 1878 e morreu no ano de 1942 no campo de exterminio de Treblinka, junto com duzentas criancas do orfanatrofio dirigido por ele.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O pobre e a pobreza, eu e a certeza (segurança)...


Nos dias 26 a 29 de julho um grupo de professoras da Rede La Salle concluiu seu programa de formacao. E o desafio era de construir um projeto de vida fazendo uma experiencia de insercao com os pobres. A casa escolhida foi o CEPA (Centro de Espiritualidade Padre Arturo) do bairro Santa Marta em Sao Leopoldo.
A mim coube a nobre missao de coordenar esse retiro. Nao foi um retiro na acepcao tradicional do termo - uma "fuga mundis" - mas ao contrario um mergulho no mundo do pobre.
Entre as muitas aprendizagens gostaria de partilhar apenas uma:
Eh impressionante como nos - os nao pobres - temos dificuldades para entender os pobres. Estou convencido de que grande parte dessa dificuldade provem das nossas certezas e segurancas. Certeza de que nao vai faltar luz, agua, comida, escola, roupa, internet, chuveiro eletrico, dinheiro... certeza de quando chove a casa nao alaga, a goteira nao aparece e o sapato nao vai sujar de barro...
Nao seriam as nossas segunrancas as responsaveis pela imcompreensao e julgamentos que fazemos do pobre? Por isso para "quebrar esse paradigma" nada melhor do que fazer a experiencia que o pobre faz com frequencia. Foi isso que tentamos fazer nesse fim de semana...
Cada um teve que se desarmar, abrir mao de suas certezas e segunrancas e mergulhar no mundo do pobre e da pobreza...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CARTA AO INQUILINO

Senhor morador!

Gostariamos de informar que o contrato de aluguel que acordamos ha bilhoes de anos atras esta vencendo. Precisamos renova-lo, porem temos que acertar alguns pontos fundamentais:

1. Voce precisar pagar a conta de energia. Esta muito alta! Como voce gasta tanto?

2. Antes eu fornecia agua em abundancia, hoje nao disponho mais desta quantidade. Precisamos renegociar o uso.

3. Porque alguns na casa comem o suficiente e outros estao morrendo de fome, se o quintal é tao grande? Se cuidar da terra vai ter alimento para todos! (Hoje no mundo, ha 820 milhoes de pessoas passando fome; entre elas, 178 milhoes de criancas, conforme dados da FAO de 05/06/08)

4. Voce cortou as arvores que dao sombra, ar e equilibrio. O sol esta quente e o calor aumentou. Voce precisa replantar novamente!

5. Todos os bichos e as plantas do imenso jardim devem ser cuidados e preservados. Procurei alguns animais e nao os encontrei. Sei que quando aluguei a casa eles existiam...

6. Precisam verificar que cores estranhas estao no ceu! Nao vejo o azul!

7. Por falar em lixo, que sujeira, hein??? Encontrei objetos estranhos pelo caminho! Isopor, pneus, plasticos...

8. Nao vi os peixes que moram nos rios e lagos. Voces pescaram todos? Onde estao?

Bom, é hora de conversarmos. Preciso saber se voce ainda quer morar aqui. Caso afirmativo, o que voce pode fazer para cumprir o contrato?

Gostaria de ter voce sempre comigo, mas tudo tem um limite.

Voce pode mudar?

Aguardo resposta e atitudes.
Sua casa, A TERRA

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Rezar pra chover...

O final de semana que passou passei de novo num lugar que povoa todo o meu imaginario infantil e adolescencial... depois de dois anos e meio, voltei a comunidade onde eu vivi os anos mais importantes da minha vida. Os leitores do blog, ja sabem, to falando de Santo Cristo, mais precisamente a Comunidade da Vila Sirio.

Por la o povo aspirava ardentemente por chuva pois toda a regiao depende da producao agricola. Ao participar da Celebracao da Palavra no domingo pela manha me chamou atencao o numero de vezes em que se rezou "para uma boa chuva". E como se nao bastasse o evangelho era o da Samaritana, entao parecia que tudo calhava pra esse apelo incessante de agua - no sentido literal - assim como fez a samaritana.

Fiquei muito bem impressionado com a fé da comunidade. Com o modo como foram dirigidos esses apelos a Deus. Mas algo em mim dizia que o foco da oracao nao deveria ter sido Deus, em primeira pessoa...

Li na Biblia, no me lembro direito em qual livro, que Deus faz chover sobre justos e injustos. Conversei com muitas pessoas da regiao e algumas diziam que a chuva era urgentissima... outras diziam que chovia regularmente. No meu modo de ver todos poderiam ser enquadrados na categoria justos, no entanto a chuva para alguns faltava... Porque Deus teria preferido uns e deixado fora outros? Tava ele querendo testar a fé? Ou Ele viu alguma coisa que nao gostou e se vingou deixando eles na seca?

Essas perguntas sao sem sentido. Nao sao nem mesmo retoricas...

Estou convencido que o problema da falta de chuva nao é um problema de Deus. Ele criou o mundo e criou o jardineiro e a sua companheira pra cuidarem (conhecem o mito do cuidado??)... é por isso que eu penso que se deveria rezar mais pelo zelador do jardim do que pelo criador dele... Se falta a chuva, se o rio ta poluido, se o sol da cancer de pele é porque falta cuidado com o mundo...

Nao é um problema teu, meu ou do vizinho: é nosso. é um pecado da humanidade!!!

Se eu entendi bem as primeiras paginas do Genesis, depois da criacao a chuva ou a sua falta é um problema nosso...Concentremos, portanto, nossas oracoes na recuperacao da dimensao do cuidado que caracteriza cada ser humano.

Se vc é de acordo, releia aquelas paginas e poste aqui seus comentarios...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Arrivederci, Roma...


Arrivederci Roma
Renato Rascel

T'invidio turista che arrivi,
t'imbevi de fori e de scavi,
poi tutto d'un colpo te trovi
fontana de Trevi ch'e tutta pe' te!
Ce sta 'na leggenda romanalegata
a 'sta vecchia fontanaper cui se ce butti un soldino
costringi er destino a fatte tornà.
E mentre er soldo bacia er fontanonela tua canzone in fondo è questa qua!

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Si ritrova a pranzo a Squarciarelli
fettuccine e vino dei Castelli
come ai tempi belli che Pinelli immortalò!

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Si rivede a spasso in carozzella
e ripenza a quella "ciumachella"
ch'era tanto bellae che gli ha detto sempre "no!"
Stasera la vecchia fontanaracconta la solita luna
la storia vicina e lontanadi quella inglesina col naso all'insù
Io qui, proprio qui l'ho incontrata...
E qui...proprio qui l'ho baciata...
Lei qui con la voce smarritam'ha detto:"E' finita ritorno lassù!"
Ma prima di partire l'inglesina
buttò la monetina e sussurrò:

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Voglio ritornare in via Margutta
voglio rivedere la soffitta
dove m'hai tenuta stretta stretta accanto a te!
Arrivederci, Roma...Non so scordarti più...
Porto in Inghilterra i tuoi tramonti
porto a Londra Trinità dei monti,
porto nel mio cuore i giuramenti e gli "I love you!"

Arrivederci, Roma...Good bye...au revoir...
Mentre l'inglesina s'allontana
un ragazzinetto s'avvicinava nella fontana
pesca un soldo se ne va!Arrivederci, Roma!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Das coisas que aprendi...

Das coisas que aprendi…

Essa semana fecha um ciclo de dois anos e meio aqui na Italia. Durante todo esse tempo frequentei a Universidade Pontificia Salesiana para obter o titulo de Mestrado em Educacao com especializacao em Pastoral Juvenil... Morando em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, como Roma, e havendo a possibilidade de conhecer outros paises é obvio que as aprendizagens ultrapassam a academia... A seguir alguns fragmentos desordenados de algumas coisas para mim muito importantes...

A primeira coisa que aprendi é que aqui não existe Mestrado como nos entendemos no Brasil. Existe a “Licenza” que corresponde, mais ou menos, ao Mestrado no Brasil...

Aprendi que Roma é uma cidade lindissima, (bem como toda a Italia) e que se torna ainda mais bela na medida em que conhece melhor a historia e na medida que o nosso olhar vai se convertendo...

Aprendi, com a ajuda de Tomas Luckmann, que a Europa é secularizada mas o europeus não. Quer dizer, a religiao é cada vez mais invisivel mas a dimensao religiosa do homem continua viva.

Aprendi que a Europa esta mundando de rosto, um rosto ainda não delineado... e que a causa pode de alguma maneira ser explicada ao egoismo generacional aliado ao grande numero de imigrantes asiaticos, africanos e latino-americanos...

Aprendi que são muitos os caminhos que levam ao Vaticano. E da onde eu morava qualquer um que eu escolhesse não demorava mais de 17min de caminhada... Mas são cada vez mais tortuosos e estreitos os caminhos do Vaticano até mim...

Em contato com pessoas de todos os continentes aprendi que os meus absolutos podem ser relativos para o outro. E que a única forma de realmente encontrar o outro (diferente de mim) é relativizando os meus absolutos (coloca-los entre parenteses). Por outro lado a única forma de viver serenamente nesse mundo (pos-moderno) é tendo valores que estao profundamente radicados em uma comunidade, e que é preciso crer que as instituicoes podem ajudar a mante-los.

Aprendi que todo o nosso saber (conhecimento) é interpretaçao. E que portanto não conhecemos as coisas como elas são, mas já sempre interpretadas e codificadas em uma linguagem carregada de significados profundamente arraigados em um contexto (tempo, cultura, simbolos, valores...).

Aprendi que a religiao não é um problema de Deus. É um fato humano e que a modernidade trouxe a religiao para dentro dos limites do mundo. Isso significa muita coisa, mas poderia ser resumido no seguinte: a religiao somente tera credibilidade e plausibilidade a medida que responder aos problemas do homem (suas angustias, suas dores, suas miserias e suas buscas)...

Aprendi que aquilo que os estudiosos chamam de “mal estar religioso da nossa civilizaçao” tem suas origens no Iluminismo e que somente dois seculos após, com o Vaticano II, surge uma resposta aceitavel. Pena que grande parte da Igreja vive como se não existisse esse Concilio... Por mal estar religioso entende-se o problema de indentidade do homem contemporaneo: se escolhe ser cristao entra em conflito com a modernidade, se opta por ser moderno conflitua com o cristianismo...

Aprendi que Deus é a maneira infinita de ser homem e que o homem é sempre um modo finito de ser Deus. A única forma de se aproximar de Deus é crescer em humanidade.
Aprendi que não se trata tanto de educar para acreditar em Deus mas educar para perceber quanto Deus cre em cada um de nos...

Aprendi que é preciso crer profundamente na juventude especialmente nos contextos de pobreza bem como nos lugares onde os jovens tendem a diminuir numericamente...

Aprendi que tudo o que eu aprendi somente tera valor se eu continuar aprendendo...

Aprendi ainda muitas outras coisas mas as que escrevi aqui me dao sufiencietes razoes par crer e esperar...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Colono sapiens santocristenses...




Eu, um bipede implume da vasta fauna humana, colorado e santocristense subi hje mais um degrau da escada sapiencial...


Obrigado a todos e a todas que de algum modo estiveram presentes...


Um abracao do,

Moa
PS.: Para os dois ou tres desatentos, santocristense é o adjetivo patrio do sujeito, no caso o colono, que nasce em Santo Cristo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Universalidade da Universidade


A semana romana foi marcada pelo incidente do "boicote" da ida do Papa a "Università La Sapienza" para a aula inaugural do ano letivo.
Alguns professores e alunos protestaram dizendo que o Papa nao poderia ir a uma universidade leiga, que isso seria a intromissao da Igreja etc e tal.
Moral da historia: o Papa renunciou ao seu discurso.
Teve porem o efeito contrario. Os estudantes catolicos, motivados pela diocese de Roma se mobilizaram e domingo estarao em peso na Praca Sao Pedro, para a oracao do Angelus. Sera uma grande manifestacao de apoio ao Papa, que como se viu na sua ultima aparicao publica estava muito mexido com essa situacao.
Eu tambem estarei la na praca. Nao somente para apoiar o Papa. Mas como um gesto simbolico do que significa para mim a universidade.
A universidade é por definicao aberta, universal e nao pode opor-se a nenhum tipo de pensamento. Pode e deve critica-lo, mas nao sem ouvir, sem conhecer.
Se os professores e universitarios tivessem escutado o discurso do Papa que se tornou publico e muito mais lido com a "censura" teriam honrado o nome UNIVERSIDADE E A SAPIENCIA.
Eh verdade que o Papa, mesmo nao querendo impor a fé, como diz no discurso que deveria ter pronunciado, nunca deixa de falar como Papa. O Papa é Papa e ponto. Eh Papa mesmo quando passeia nos jardins do Vaticano escutando Mozart no seu Ipod Touch Screen...
Mas o Papa de agora é considerado umas das pessoas mais inteligentes e cultas dos 6,6 bilhoes de seres humanos do planeta. Nao querer ouvi-lo nao parece uma atitude inteligente de quem esta na UNIVERSIDADE, ainda mais quando essa se chama "LA SAPIENZA" (A Sapiencia).
Eh por isso que domingo estarei ali, debaixo dessa janela...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007





"O que é o ser humano na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo" (Pascal)




Sim, Pascal tem razao. Passa ano e entra ano e o ser humano nao encontra seu exato lugar no mundo. Nem mesmo o seu tamanho.

Dos 4,5 milhões de anos que a vida está presente nesse ovo (de codorna, pq é pequeno em relação ao universo) chamado terra o surgimento da espécie humana corresponde a um suspiro efêmero. Numa escala de uma ano corresponderia a noite do dia 31 de dezembro. Mas precisamente aquele instante fugaz que dura do saltar da rolha da champagne até o momento que o som chega ao nosso cérebro. Ínfimo, mas decisivo.

Essa semana os jornais traziam artigos de cientistas que afirmavam que continuando assim teremos poucas viradas de ano pela frente. Falavam em fim da especie humana porque de um lado teremos em pouco tempo uma superpopulacao e os recursos energeticos do planeta se extinguindo, ou ao menos nao se regeneram na velocidade que sao consumidos...

Outros menos pessimistas acreditam que o ser humano nao se acabara devido a sua adaptabilidade e criatividade.

O que parce certo é que exatamente como as coisas estao andando nao poderao continuar por muito tempo. Ou o homem descobre que ele foi feito para mundo e nao o mundo para ele (e que isso tem implicacoes eticas). Ou entao cedo ou tarde descobriremos que a especie humana que foi a ultima ser criada (conforme o mito de Adao) nao sera a ultima a desaparecer...

Otimo 2008!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Natal


Tenho a conviccao que nesse ano ao menos no que me diz respeito nascera um Jesus diferente. Recentemente fui agraciado com a possibilidade de pisar na terra onde Jesus de Naraze transcorreu os 33 anos da sua existencia e isso reforcou minha inquietacao...
Desde algum tempo vinha sendo provocado pela teologia da Incarnacao a desfazer-me daquela imagem de Jesus muito espiritualizada, quase mitica. Daquele Jesus que era homem sim, mas que com ele tudo funcionava tao bem que parecia que apertava botoes invisiveis e tudo se encaminhava como ele queria. Um milagre aqui outro acola, um discurso bem feito, discursos, ensinamentos... Um Jesus que subia na montanha pra rezar, mais pra mostrar que era necessario rezar do que pra realmente entender os designios de Deus a seu respeito (afinal, ele ja sabia tudo).
Quase dava a impressao que Jesus se fez homem, porque Deus tava querendo que a gente acreditasse nele e entao se fez ver em carne e osso. Mas a carne e o osso pouco diziam para a fé. Era muito facil acreditar num Jesus assim.
Nao quero alongar o discurso... Penso que a humanidade de Jesus que celebramos no Natal chama em causa a nossa decisao de fé. E mais dificil crer num Jesus humanamente divino do que num Jesus pouco humanizado.
Somente assim nossa humanidade adquire um significado. Nosssas buscas, anseios, alegrias, tristes e esperancas podem tornar-se sinais antecipatorios do grande misterio.
Enfim, o Natal demonstra que Deus é a forma infinita de ser homem, enquanto o homem é sempre uma forma finita de ser Deus.
Excelente Natal!!

JERUSALEM
Um pensamento muito interessante sobre a realidade da Jerusalem terrestre.

"Quando Dio creò il mondo, di dieci misure di bellezza nove le diede a Gerusalemme e una al resto del mondo;

"Quando Deus criou o mundo, de dez misuras de beleza nove deu a Jerusalem e uma ao resto do mundo;


di dieci misure di saggezza, nove le diede a Gerusalemme e una al resto del mondo;

de dez misuras de sabedoria, nove deu a Jerusalem e uma ao resto do mundo;


di dieci misure di dolore, nove le diede a Gerusalemme e una al resto del mondo".

de dez misuras de dor, nove deu a Jerusalem e uma ao resto do mundo."

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Do rio para a fonte...



Faz dias que nao escrevo nada aqui. Eh que vivo uma dupla "tensao escatologica"... A primeira porque o fim dos tempos (em Roma) esta se aproximando de uma meneira muito rapida e eu tenho que me dedicar a preparar os exames que faltam e principalmente à tese. E depois? Arrivederci Roma!!

A segunda porque estava me preparando para uma viagem mais do que especial. Uma VIAGEM A PATRIA DA MINHA ALMA. Sabado, partiremos em peregrinacao para uma semana de peregrinacao naquelas terras onde onde um carpinteiro reuniu um grupo de pescadores analfabetos (provavelmente) e algum cobrador de imposto e deu inicio a um movimento de lideres itinerantes que separou definitivamente a historia em antes e depois... Um terra chamada Palestina de uma complexidade muito grande de religioes e culturas que vive conflitos que a distanciam milhas e milhas do ideal daquele judeo marginal chamado Jesus.

Do rio a fonte... A fé na minha historia pessoal pode ser comparada a um rio. Um rio que passa de geracao para geracao, que passou na minha familia, na escola, na comunidade que pertencia... Um rio que tem muitos afluentes muito influentes... cada um dando sua contribuicao para que ele se mantivesse capaz de arrebatar todos os obstaculos que encontra no seu curso... Um rio que me fez entrar na Congregacao dos Irmaos das Escolas Cristas e nela permanecer até hoje. Um rio que me trouxe a Roma, chamada pelas mas linguas de "depositum fidei" (deposito da fe) mas que ali nao desaguou... Um rio que continua passando...Mas esse eh um rio diferente porque milagrosamente ele parou e resolveu voltar a fonte...

Até a volta!!!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O trono

Ontem domingo fui a missa como fazem ao menos 12% dos italianos... A liturgia celebrava a festa de Cristo Rei e com essa se encerra o ano liturgico. As linhas que seguem sao em grande parte motivadas pela desastrosa homilia. Desastrosa ao menos segundo a minha sensibilidade teologica.

Eu tenho um pouco de dificuldade para acreditar que o trono de Cristo foi a cruz. Nao penso que vendo a cruz de Cristo nessa perspectiva ela nos ajude a compreender a festa que ontem se celebrava.

Para os romanos o trono era o simbolo do poder. Poder era capacidade de decisao e obediencia dos que deveriam obedecer.

Para os cristaos poder rima com servico. Alias seria melhor falar que o evangelho nos ensina isso, pq os cristaos ainda nao entenderam . Pelo menos grande parte deles.

Ontem era o dia de recuperar essa dimensao do sercico, da doacao e da humildade.
Eu penso que o trono de Cristo foi a cadeira em que ele sentou na ultima ceia. Era igual a todas as outras. A diferenca é que nela sentava um homem que antes tinha lavado os pés daqueles que eram seus discipulos...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ser crianca: elevar-se ou abaixar-se...



Ontem, 20 de novembro, no Brasil era o dia da Consciencia Negra. Tambem se celebrou a aprovacao da Declaracao dos Direitos da Crianca por parte da ONU ocorrida no ano de 1989.

Celebrando essa data a Secretaria de Estado do Vaticano promoveu um concerto beneficente ao Hospital "Gesu Bambino" de Roma que atende criancas do mundo todo.

Tive ocasiao de participar desse momento unico de requinte cultural que envolveu os 12 mil expectadores com um rio de emocoes. A Banda da Policia Italiana e o grandissimo maestro Ennio Morricone que compos trilhas sonos para 400 filmes foram os grandes nomes. O fio condutor das obras executadas foi a delicadeza, a suavidade e a leveza de ser... que recuperaram em todos os presentes as expressoes genuinas de ser crianca. Mas ser crianca nao é facil... Segue uma poesia que foi interpretada durante o espetacolo e que é mais eloquente de tudo o que eu possa escrever.

Dite:
Voces dizem


è faticoso frequentare i bambini. Avete ragione.
È cansativo estar com as criancas. Voces tem razao.


Poi aggiungete
E acrescentais:


perché bisogna mettersi al loro livello, abbassarsi, inclinarsi, curvarsi, farsi piccoli.
Porque é preciso colocar-se no nivel delas, abaixar-se, inclinar-se, curvar-se, fazer-se pequeno


Ora avete torto.
Ora voces erraram.


Non è questo che più stanca.
Nao é isso que mais cansa


E’ piuttosto il fatto di essere obbligati a innalzarsi fino all’altezza dei loro sentimenti.
È antes o fato de sermos obrigados a elevar-nos até a altura dos sentimentos delas

Tirarsi, allungarsi, alzarsi sulla punta dei piedi.
Esticar-se, alongar-se, levantar-se na ponta dos pés.


Per non ferirli.
Para nao feri-las.


Janusz Korczak
L’autore è un pediatra polacco nato a Varsavia nel 1878 e morto nel 1942 nel campo di sterminio di Treblinka, assieme a duecento bambini dell’orfanotrofio da lui diretto.

O autor é um pediatra polaco que nasceu em Varsavia em 1978 e morreu no ano de 1942 no campo de exterminio de Treblinka, junto com duzentas criancas do orfanatrofio dirigido por ele.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A BUSCA DA TRANSCENDÊNCIA

Hoje publico um texto que nao é meu. Mas que tem muito a ver com o que aqui tenho escrito até agora. Agradeço a Nara Peruzzo por deixar-se provocar pelos "pensieri deboli" desse blog e reagir assim: escrevendo.
A BUSCA DA TRANSCENDÊNCIA

1. Contextualização
O Modernismo, iniciado com o Renascimento, provocou uma mudança radical nas estruturas tradicionais a respeito do modo de pensar e de interpretar os dogmas, ritos religiosos, principalmente no catolicismo e no protestantismo.
“[...] O modernismo foi uma crítica radical ao sistema moral da cristandade, ao clericalismo e ao dogmatismo que reinava na Igreja católica. Foi a apreensão das aspirações de uma teologia mais secularizada e da busca de outras formas de organização social e política. Foi também uma busca de libertação e uma tentativa de rompimento com um velho esquema que se solidificou pela integração de paganismo, cristandade e colonialismo.” (Kolling, 1994, p. 14)

Este movimento provocou muitos abalos na fé, pois, segundo Kolling
[1], apostou no progessismo. “Curiosamente, todo esse movimento, que na volta ao passado encontrou forças para apontar um outro futuro, o do iluminismo, tornou-se mais tarde, tão totalizador quanto ao sistema da cristandade que motivou seu surgimento” (Kolling, 1994, p. 14).
Como sabemos, todo sistema totalizador oprime e impede a diversidade. E aqueles que são oprimidos partem em busca da libertação e do reconhecimento. Foi justamente o que aconteceu com a Europa, que após “acabar” com a expansão islâmica (Cruzadas), com a ajuda dos católicos, tornou-se “a dona do mundo”, não somente no campo religioso, mas político, econômico e social. Em contrapartida surgem dezenas de ramificações de Igrejas Cristãs “Protestantes” e movimentos contra essa “dominação”. Não objetivamos adentrar nos pormenores dessa temática, apenas contextualizá-la.
As conseqüências éticas-pragmáticas desses movimentos presenciamos ainda hoje em nosso meio, talvez de forma mais intensa. Só que ao contrário daquela época que o opositor era uma instituição, hoje é um sistema. O sistema capitalista neo-liberal. Tudo virou mercadoria: as relações humanas, as ciências, o meio-ambiente... O grande objetivo é acumular bens, propriedades (=poder). A palavra chave é o progresso. A verdade é a ciência.
Vivenciamos a era de especialidades, de fragmentação. O ser humano deixou de ser um todo para ser partes. Para dor de cabeça há o neurologista, para a dor de coração, o cargiologista, para a depressão, o psicólogo, para os “desejos”, o mercado. Nesse emaranhado de ciências, de novas especializações que consideram o ser humano um ser mecânico, quem “cuida” da teleologia do ser humano? Exemplificando, é como se tivéssemos quebrado um copo e cada qual se ocupasse com apenas um dos cacos. O caco do copo não é o copo, ele é apenas uma parte do copo. E o copo deixa de cumprir sua finalidade quando é caco.
Antropologicamente falando, o ser humano, segundo Lima Vaz, é pessoa. E pessoa é a totalidade das categorias de objetividade, de subjetividade e de transcendência. Ao considerarmos apenas uma dessas categorias estaremos vendo parte do ser humano e não o todo.
As relações que surgem nesse processo também são relativas e fragmentárias. Pois além de ver somente as partes, também são fundamentadas no econômico. Conseqüentemente, tudo vira mercadoria. E a relação sujeito-sujeito é substituída pela relação sujeito-objeto.

2. Busca da Transcendência
Neste contexto, busca-se na religião um espaço de reconhecimento e de conforto. Para elucidar essa minha idéia exemplificarei. Uma mãe de família, desempregada, casada com um operário e com dois filhos adolescentes. A renda familiar não é mais suficiente para suprir as necessidades básicas da família. E como todo mãe, quer dar para os filhos estudo, profissão... e a cada dia vê isso se tornar impossível. A mãe começa a ficar doente e procura um Pronto Atendimento. O médico mal a olha, e a escuta o mínimo possível, pois tem muita gente a atender ainda. Em cinco minutos receita um remédio. E está encerrada a consulta.Quando chega em casa a vizinha a convida para ir a Igreja. Chega lá é acolhida por todos, o Pastor a escuta, dá uma benção, motiva a comunidade para uma corrente de oração e ainda a visita na sua casa. Em poucos dias a mãe melhora. E eternamente fica agradecida ao Pastor, pois ele realizou o milagre da cura.
O exemplo é simples, mas demonstra, como o fenômeno religioso que presenciamos atualmente é a busca pela totalidade do ser humano.
O ser humano é um ser de busca, de sede do infinito, quando isso é sufocado de alguma maneira, em algum lugar estoura. E é o que está acontecendo. Vemos infinitas religiões, seitas surgirem com o objetivo de salvar o ser humano. No entanto, também esse fenômeno está dentro da lógica de fragmentação, pois não considera o todo do ser humano, mas apenas a sua dimensão transcendente. E ao considerar apenas uma das dimensões humana se torna reprodutora do sistema, tornando-se um mercado que oferece um produto que está em falta e que concorre com os outros fornecedores. Conseqüentemente, para garantir o seu espaço manipula e domina. Quando deveria ser o espaço de encontro, de vivência com o mistério, do descobrir-se humano, do celebrar a vida, da libertação.
Para concluir, gostaríamos de citar Staccone: “ O Ser humano não se basta a si próprio, pois desde as primeiras e mais remotas manifestações de sua atividade intelectual saiu à procura do Outro Infinito. [...] O ser humano moderno não basta-se a si mesmo. Ele também tem sede do infinito e do encontro com o totalmente Outro que busca angustiado, mesmo sem o saber. No caminho, o mais angustiante é caminhar sozinho, sobretudo quando o terreno que pisamos é desconhecido. E o caminho para Deus se faz na solidão e sem rumos predefinidos, cabendo à razão não maltratar o mistério”

[1] KOLLING, João Inácio. Religião e Pós-Modernidade. Passo Fundo: Berthier, 1994.

domingo, 18 de novembro de 2007

Deus nao é maniqueista


No post anterior eu quis chamar atencao sobre alguns aspectos que dizem respeito a experiencia religiosa a serem superados, a saber: a concepcao de um Deus intervencionista e que esta para alem dos limites do mundo, a divisao entre bons e maus (maniqueismo - na linguagem biblica trigo e joio) e a consequente espiritualidade fundada em peticoes e ritos que procuram sensibilizar a Deus para jogar do lado dos bons...


Na verdade o maniqueismo foi superado quase 200 anos antes mesmo que nascesse. A Encarnacao trouxe definitivamente Deus para dentro dos limites do mundo atraves de Jesus Cristo. Ele deixou bem claro que separar os bons dos maus nao compete a nos. Mostrou ainda que a Salvacao esta ao alcance de todos e que para tanto nao é necessario fazer nada. Parece estranho, mas é assim mesmo. Fomos habituados desde pequenos a pensar que para "ir pro ceu" a gente tinha que fazer um monte de coisas. Tipo ser "comportadinho", obediente, nao chegar tarde em casa e nem falar palavrao... Depois crescendo se passava da fase comportamental para a sacramental: entao tinha q fazer a comunhao, a crisma, ir na missa e "ajudar quem precisa"... Tudo isso levava a crer em uma Salvacao por merito e ao mesmo tempo individualista: "salva tua alma" diz uma maxima antiga...


A Salvacao, todavia, é graça, é dom. Foi Deus quem mandou seu Filho pra dizer em modo eloquente e humamente inteligivel como viver. Livremente podemos aceitar ou nao esse dom...
Bem, o discurso ainda poderia se alongar... mas vamos ao finalmente:
Penso que a grande acao pastoral da Igreja seja anunciar o dom da Salvacao em Cristo. Aceitar o dom da Salvacao significa aceitar o abraco acolhente do Pai Misericordioso (Lc 15, 11-32)
Consequentemente uma espiritualidade que supera os dualismos: sagrado - profano, bons-maus, imanente-transcendente. Uma espiritualidade da vida cotidiana que com o olhar penetrante da fé (amor) enxerga em cada gesto, em cada encontro... uma presença misteriosa e iluminadora...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Sensibilizando Deus...


Meu querido diario dos tempos modernos (eu sei q tu prefere ser chamado de blog)!!!


Faz um tempinho que eu ando incomodado com uma imagem de Deus que pertence ao meu DNA religioso herdado da minha cultura e que nao me satisfaz mais... Nao consigo mais acreditar num Deus Pai Todo Poderoso e no seu Filho q subiu ao ceu e esta sentado a sua direita. Que a essa altura estejam no ceu tudo bem. Me incomoda o fato de estarem sentados.


Existem tantos problemas no mundo pra serem resolvidos (por exemplo, 854 milhoes de pessoas sofrem de fome), mas Deus continua ali sentado. Tem tanta coisa errada acontecendo que fica impressao de que os bons estao perdendo a partida pros maus. Diante da impotencia dos bons para acabar (sim essa é a palavra certa: acabar) com os maus e o mal, nao resta outra alternativa que sensibilizar Deus para que jogue do "nosso" lado (o dos bons, claro). Nao resta que apelar a peticoes e pedidos incessantes de intervencoes divinas pra que Deus levante do seu trono... E entao quando alguma coisa boa acontece aos bons e alguma desgraca aos maus a gente fica com a certeza de que Deus ouviu nossas preces...
Eu penso que essa forma de concepcao coloca Deus numa situacao muito complicada e desconfortavel. Em primeiro lugar o deixa ali o tempo todo sentado... pensa num tedio... Segundo, Deus nao pode aceitar os pedidos de todos porque os proprios pedidos se contradizem (penso agora numa cena do filme O Todo Poderoso)... Terceiro, se resolvesse os problemas todos numa tacada, depois a gente nao saberia mais nem como rezar...
Tudo isso pra dizer que nao eh mais possivel acreditar numa religiao e numa religiosidade que se estrutura numa logica divina intervencionista com modos de fazer, estruturas, esquemas liturgicos, formas de piedad e linguagem que denotam uma imagem in-crivel (nao crivel) de Deus, ligada a cenarios dualistas... enfim um Deus desencarnado.
Recuperemos a Encarnacao!!
Volarei a falar sobre isso.